Operação " TARRAFA" escancara esquema de pescadores fantasmas no Maranhão.
- FOLHA DE BEQUIMÃO

- 1 de jul.
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O Maranhão está no centro de uma das maiores fraudes da história do INSS. A operação “Tarrafa”, deflagrada pela Polícia Federal, revelou um esquema bilionário que desviou recursos públicos por meio do seguro defeso, benefício destinado a pescadores artesanais durante o período de proibição da pesca.
Segundo a investigação, mais de R$ 1,5 bilhão foram pagos a pescadores fantasmas em 12 estados. O Maranhão lidera a lista de irregularidades: mais de 590 mil pessoas estariam registradas como pescadores no estado, um número que não condiz com a realidade da produção pesqueira local, que ocupa apenas o 6º lugar no ranking nacional.
Apesar da baixa produção e da escassez de embarcações legais, apenas 621 registradas no estado, o número de supostos pescadores registrados é tão alto que chega a uma média absurda de quase mil pescadores por barco. O que se vê, na prática, é um verdadeiro exército de beneficiários que nunca encostaram numa rede de pesca.
A Polícia Federal descobriu o uso de certificados digitais falsificados, documentos forjados e até servidores do INSS envolvidos em aprovar benefícios fraudulentos. Só no Maranhão, centenas de pedidos foram autorizados com base em informações manipuladas ou sem qualquer comprovação de atividade pesqueira.
Além dos servidores, entidades como colônias e federações de pescadores também são apontadas como peças chave do esquema, facilitando o cadastramento e recebendo parte dos recursos por meio de descontos automáticos nas aposentadorias e benefícios.
O escândalo ganhou ainda mais repercussão com o nome do suplente de deputado estadual Edson Araújo (PSB), ex secretário de Pesca do estado, que teria recebido mais de R$ 5,4 milhões de uma federação envolvida no esquema. O caso está sendo investigado como parte da teia de corrupção que atinge políticos, entidades e servidores públicos.
Com milhares de CPFs falsos, registros forjados e desvios milionários, a fraude no seguro defeso se tornou um símbolo do descontrole e da corrupção em setores que deveriam proteger o trabalhador humilde. Enquanto o verdadeiro pescador maranhense enfrenta dificuldades, um sistema paralelo se aproveita dos seus direitos para enriquecer políticos, intermediários e quadrilhas organizadas.
A investigação continua, mas uma coisa já está clara: o Maranhão virou território fértil para o golpe, e o dinheiro que deveria garantir o sustento de quem vive da pesca foi parar no bolso de quem nunca entrou num barco.
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